Um, dois, três, ops!
Lá vem ele de novo.
Um verme entre carneirinhos,
Cavucando frestas de luz
Nas trevas sonolentas,
Debatendo-me entre lençóis suados,
Roubando os poucos sonhos que me restam.
Quatro, cinco, seis, ops!
Os pesadelos doem menos,
Que a penumbra de uma idéia,
O suspiro frouxo e agonizante,
De uma tortura que não cessa.
Nojentos vermes insones.
Sete, oito nove, ops!
Para doze falta mais um.
Eles vêm em hordas,
Como a miséria dos minutos que restam,
Dos dias que não cessam,
Dos sonhos rasgados
Nas noites mortas.
Vermes entre sonhos decompostos.
Pútridas alucinações sorridentes.
Musas doentias de um paraíso de excretas.
Sinuosos tic-tacs surdos.
Esguios raptores de mim.
Vermes!
Malditos insones!